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segunda-feira, março 24, 2008

Charge dedicada ao Ministro Ayres Britto

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"Sei como você se sente! Quando fui um escravo lá embaixo, os tribunais também não entendiam que eu era completamente humano!"

quinta-feira, março 20, 2008

Capitão Obvious diz: "INSERVÍVEL É A VOVOZINHA!"

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Capitão Obvious (o super-herói que lida com a qualidade das mensagens que chegam à minha caixa postal) escreveu para mim uma mensagem deveras ácida. Ele, como todo bom super-herói, entende o valor do recolhimento nestes dias que antecedem a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele escreveu que apesar de estar com o coração voltado para a Paixão de Nosso Senhor, achou por bem que eu desse a devida atenção a um comentário que chegou até nós.

Ele me disse que ficou um pouco preocupado com o que o remetente entende por humanitarismo e até lembrou que um tal "humanistarismo" deste tipo esteve muito em voga em certos círculos na Alemanha durante as décadas de 30 e 40 do século passado. Ele escreveu que, naquela época, a história não acabou bem, e que não haveria porque acabar bem agora.

Eu, que jamais deixo de atender um alerta do Capitão -- quem sou eu para esnobar um super-herói? --, entendi que realmente o remetente do comentário merece uma resposta.

Primeiramente, a íntegra do que aqui chegou:

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Como o Supremo Tribunal Federal disse, os embriões congelados nos tubos de ensaio nos laboratórios so tem 3 destinos:

1. Passam o resto da eternidade alí, congelados e inservíveis.
2. São jogados no lixo (algum dia serão, afinal nao tem lugar pra guardá-los pela eternidade).
3. Ser utilizados em pesquisas quando já nao podem mais se tornar seres humanos.
O que é mais humanitário?
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O remetente nem mesmo precisou enumerar nada para já sair caindo no erro... O STF não disse nada. Houve um voto do relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade. Após isto, um outro ministro pediu vistas do processo e a decisão final ainda será dada.

Ou seja, o remetente acha que a palavra de um ministro vale para que as pesquisas sejam liberadas. Não vale. E é bom que se diga que mesmo que todos os ministros votem a favor desta sandice, desta claríssima inconstitucionalidade, nem mesmo assim uma pessoa que tenha algum aprêço pela vida humana deve achar que está liberado.

Aliás, o remetente pode até não gostar, mas o raciocínio dele, que parece acreditar que o que uma instância jurídica decide torna-se lícito, confirma o que muitos pró-vida acertadamente prevêem no caso de uma liberação do aborto: muitas pessoas que o rejeitavam passarão a encará-lo como coisa positiva apenas porque se tornou legal. Fatal engano.

Mas, vamos aos números...


1) "Passam o resto da eternidade ali, congelados e inservíveis."

Capitão Obvious foi quem me alertou sobre o curioso senso de utilitarismo do remetente. O Capitão até achou que entre um ser humano congelado e entre o remetente ele preferiria passar a eternidade ao lado das crianças, pois elas não tem este senso estranhíssimo de utilitarismo. Ele achou que em algum momento o remetente acharia que ele não serve para nada e o jogaria na lata de lixo mais próxima. O Capitão Obvius é uma cara muito prático e ele não se dá muito bem com quem insiste em sacrificar os outros para benefício próprio.

Claro que o que o remetente escreveu é uma asneira sem fim. "Congelados e inservíveis?" Eu ainda tentei aplacar um pouco a ira do Capitão, mas ele, ameaçando retirar-se do blog, pediu que eu escrevesse literalmente as próximas palavras.

"INSERVÍVEL É A VOVOZINHA!"

Ele estava realmente fora de si. Só relaxou quando o lembrei que nem mesmo as vovozinhas são inservíveis. Ele riu um pouco, mas disse que eu mantivesse a frase. Ou isto ou que arrumasse um outro super-herói para o seu lugar. Como não é todo dia que aparece um bom super-herói dando sopa, eu resolvi deixar a frase do Capitão do jeito que está.

Claro que a sandice (nosso tempo é uma época de sandices, não?) escrita pelo remetente nos leva a lembrar do menino Vinicius Dorte, que hoje tem por volta de 6 meses e que estava congelado há 8 anos. Mais detalhes podem ser vistos em:

http://www.brasilsemaborto.com.br/noticiavisual.asp?id=409

Pela Lei que o remetente defende que seja válida, o menino Vinícius teria virado brinquedinho na mão de cientistas inescrupulosos.

E Vinícius é uma excessão? Não mesmo. Há inúmeros casos parecidos com este. Até mesmo no Youtube pode ser encontradas informações disto:



Capitão Obvious achou que o remetente deveria ser um pouco mais "servível" e fazer o trabalho de casa ao invés de ficar enviando mensagens mal fundamentadas para o blog dos outros.


2) "São jogados no lixo (algum dia serão, afinal nao tem lugar pra guardá-los pela eternidade)."

O Capitão ficou um pouco enjoado com esta frase do remetente. Ele disse que sempre se sente assim quando vê alguém ser tão passivo. Ele me disse que não suporta este "laissez-faire", esta indiferença com que tantos encaram a vida.

Infelizmente o remetente não consegue ver o problema de uma ótica que o leve a sair de sua inércia. Parece dizer: "Hay embriones? Tenemos que matarlos!". Para ele, os embriões são apenas um problema a ser resolvido, ele jamais os encara como seres humanos. Foi o Capitão que me explicou por que o remetente age assim: é que assim fica mais fácil defender o que ele defende. Se ele não encara o concepto como um humano, importa-lhe apenas que a ele seja dado o destino que mais lhe seja útil.

Não, caro remetente, a lata de lixo não é um destino aceitável para ninguém. Sequer elencar isto como uma possibilidade só demonstra o nível de descaso com a vida humana que permeia nossa sociedade. Quando um ministro da mais alta instância jurídica de uma nação utiliza isto para um voto em matéria de tal importância, isto só deixa claro o quanto as coisas vão erradas e doentes em nossa sociedade.

A lata de lixo é destino apenas do lixo, não de embriões humanos. Eu e o Capitão ficamos muito enojados em que você ache mesmo que isto é um destino a ser considerado.


3) "Ser utilizados em pesquisas quando já não podem mais se tornar seres humanos."

Finalmente o centro da questão!

"Não podem mais se tornar seres humanos"??? O Capitão Obvious pediu-me para perguntar se o remetente estava em um mau dia ou se ele é assim mesmo normalmente. O Capitão disse, literalmente:

"Céus! Como é que alguém não mais pode se tornar aquilo que já se é?"

O Capitão pediu para perguntar se o remetente tinha notícia de alguma recente revolução no ramo da embriologia que classificasse como não-humano o fruto da concepção entre seres-humanos. Ele, o Capitão, disse que comeria a própria capa sem sal se o remetente trouxesse dados que demonstrassem que o fruto da concepção entre seres-humanos torna-se um pato. E olha que ele gosta de patos...

O caso do menino Vinícius Dorte e inúmeros outros servem para botar abaixo mais esta asneira do remetente.

Tanto eu como o Capitão achamos que o remetente, no fundo, é um desinformado que necessita de parar de pensar em assuntos sérios utilizando a superficialidade de quem discute o jogo de ontem em um boteco qualquer. Nós achamos que ele pode fazer um bom esforço e dar uma guinada e ver que o lado que ele escolheu nesta parada tem muita pose, mas que lhes falta apenas uma coisa: razão.


Para finalizar: "O que é mais humanitário?"

Pedimos apenas que o remetente tenha muito cuidado ao abraçar qualquer coisa que venha até mesmo do Supremo Tribunal Federal. Será que o remetente sabia do papel que certas Supremas Cortes tiveram no passado?

A Norte-Americana, por exemplo, aprovava a escravidão defendendo que os negros não eram humanos.

Que tal o remetente pesquisar sobre a curiosa figura do juiz Roland Freisler? Garanto que ficará abestalhado de até que ponto pode chegar um juiz para subverter as leis que garantem a dignidade humana.

Eles também se diziam "humanitários". Deu no que deu...

segunda-feira, março 03, 2008

Carta aberta aos Ministros do Supremo

2 comentários ###

Abaixo, segue uma carta aberta de Emanuelle Carvalho Moura dirigida aos ministros do STF.
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Prezados Senhores Ministros,

Dia 05 de março de 2007, os senhores decidirão sobre uma das mais importantes questões da história jurídica brasileira: a manipulação ou não de vidas de indivíduos humanos: se, na fase embrionária, será permitida essa atrocidade.

Para se justificar tal absurdo, os cientistas defensores do uso de pessoas como cobaias de laboratório procuram igualar o estágio em que o ser humano embrião se encontra com uma espécie de “morte encefálica”. Ora, quando há morte encefálica em um indivíduo na fase terminal de sua vida ocorre uma perda neuronal irreversível enquanto que um embrião encerra todas as pluripotencialidades de coordenação e construção de si mesmo, do seu encéfalo inclusive porque no início de sua vida encontra-se, vida desse organismo que, cientificamente já é constatado: inicia-se na concepção. Igualar dois processos biológicos distintos como se o início da vida de um organismo humano equivalesse à morte e término, não passa de desonestidade intelectual.

Esse argumento é muito divulgado pela Sra. Mayana Zatz, sua colega, Lígia Pereira, também favorável à manipulação de células tronco embrionárias humanas, não ousa contestar que o início da vida de um organismo humano inicia-se na concepção, pelo menos é o que reporta nos seus livros sobre o tema. A Dra. Lígia é transparente, diz, fazendo inveja a Hitler: “o início da vida de um organismo humano é a concepção, queremos apenas que o Supremo nos dê autorização para usá-la como cobaia de laboratório, posto que podemos conseguir tal matéria humana, em princípio, através desse resto de embriões congelados das ricas clínicas de fertilização in vitro”. Esse tipo de exigência não difere da dos homicidas. Se houvesse uma audiência pública com especialistas em torturas, mortes violentas e manipulações, aposto que pediriam autorização do Supremo para saber até que momento da vida de um organismo humano eles podem picotar o indivíduo com a segurança de que não seriam punidos. Com o andar da carruagem, tenho medo de que se autorizem leis que permitem enfiarem-me uma faca na garganta porque estou desempregada e sou inútil, neste momento, à Economia do meu país.

A ciência caminha a passos lentos e prudentes. Temos realmente uma esperança que nasceu em laboratórios há muito mais tempo do que toda esse sensacionalismo, adoçado por Mayana Zatz, sobre CTEH. Diz esta bióloga que as CTEH “são as únicas esperanças para a cura de doenças muito graves, muito letais e a população tem fé de que irá se curar se o Supremo permitir que nós (os salvadores modernos) manipulemos alguns outros menos importantes e silenciosos (embriões congelados) do que estes adultos que, cheio de esperanças e ignorâncias, clamam pelo favorecimento de tal manipulação”. Ora, por que a ciência de Mayana Zatz faz apelos populares mesmo sabendo que a maioria da população, leiga e desinformada, não consegue discernir todas as conseqüências éticas e até científicas dessas manipulações? A ciência ética costuma ser prudente e cuidadosa para não criar falsas esperanças em inúmeras famílias que sofrem com pacientes crônicos e que apostariam até a vida de inocentes para terem sua tão almejada “cura”.

Até hoje, NADA de eficaz foi obtido através da manipulação de CTEH. A não ser que teratomas descontrolados em roedores seja evolução.... NENHUMA CURA. Porém, quanto às Células Tronco Adultas, retiradas da Medula Óssea, já houveram CURAS em crianças e inúmeros sucessos em mediciana regenerativa como os Senhores Ministros puderam constatar na audiência pública de abril de 2007 através dos cientistas favoráveis apenas às manipulações de células tronco adultas. E, ainda, que se pode obter células com potencialidades da embrionária através dessas próprias células adultas da pele de seres humanos adultos.

Por que apostar no vazio? Se podemos evoluir dentro dos campos da ética, sem ferir a dignidade da vida humana? Nos mercados públicos da minha cidade, Teresina, somos acostumados a ver “curadores” com garrafas preenchidas de água suja que eles dizem ser abençoadas e que “cura de todos os males”. Esse tipo de charlatanismo parece não acontecer somente no meio de desletrados. Estamos assistindo à maior farsa da ciência que são as ilusões que se obteriam das células tronco embrionárias humanas e o apelo que esses cientistas pró-CTEH fazem não é racional, mas sempre embasado na manipulação psicológica e dos sentimentos de gente ingênua. Para desqualificar argumentos contrários, racionais e éticos, dos cientistas pró-CTA, aqueles dizem que estes não passam de “religiosos fanáticos”. Um olhar mais atento, por outro lado, revela que são os cientistas pró-CTEH, especialmente Mayana Zataz que, não satisfeita, caluniou uma das cientistas éticas e favoráveis apenas à manipulação de células de adultos, enfim, são estes que usam de uma religiosidade científica com direito a “curas milagrosas”, propaganismo de garrafeiro e falta de respeito ante outros colegas cientistas que sempre posicionaram-se reduzindo os debates ao tema em foco e nunca a agressões de ordem pessoal, nem a difamações.

Peço aos Senhores Ministros, diante do exposto, que dêem um exemplo que, não só o Brasil, mas o mundo precisa ouvir: CIÊNCIA SÓ É POSSÍVEL COM ÉTICA. O dever de proteger a vida humana desde sua existência enquanto organismo, a concepção, está consagrado como cláusula imutável de nossa rica Constituição Federal em seu Art. 5º, caput.. Ferir esse artigo significa colocar-se como maior do que a própria CF. E não feri-lo significará, nesse caso, proteger a vida humana de manipulações científicas, de escândalos como os da Coréia recentemente, de venda e compra de óvulos sob risco da saúde de mulheres que, desesperadas, recorrem a um dinheiro fácil e do tráfico de embriões que poderão, para a ganância de uma ciência caolha serem até fabricados em parceria com clínicas de fertilização in vitro (como a lei poderá controlar isso se abrir essa caixa de pandora?).

A vida dos embriões, organismos humanos em estágio pelo qual cada um dos senhores Ministros já passaram, está, nas mãos dos senhores. Escutem a voz da Razão e sejam exemplo para o Brasil e para o Mundo.

Com todo o respeito pela dignidade das vossas vidas,

Emanuelle Carvalho Moura

Estudante de Direito da Universidade Estadual do Piauí


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Autorizo ampla divulgação. Desde que o texto seja mantido na íntegra.