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quarta-feira, abril 28, 2010

Salve Santa Gianna!

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Hoje é o dia em que a Liturgia nos chama a recordar Santa Gianna Bertta Molla, um verdadeiro exemplo de como viver a santidade nos tempos modernos.

Ano passado escrevi uma postagem como humilde homenagem a esta grande santa dos nossos dias. Em uma época em que tantos pais rejeitam seus filhos não-nascidos por variados motivos -- como se houvesse justificativa válida para o aborto de um ser humano --, o amor de Santa Gianna por sua filha que ainda estava em seu ventre é um testemunho que faz silenciar, tocando bem fundo no coração.

Da mesma forma, em tempos que tantos médicos confundem seu ofício, que é o de salvar vidas, com o de carrascos desumanos, Santa Gianna, médica, mostra-lhes o quanto vão afastados da real vocação que deve ser a fonte de tal profissão.

Santa Gianna, médica, esposa e mãe é a resposta que cala abortistas, feministas e assemelhados. Os santos de Deus são exatamente isto: pedra de tropeço para os que insistem em ir contra os planos de Deus.

Salve Santa Gianna!

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Oração à Santa Gianna Beretta Molla:

Ó Deus, Amante da Vida, que concedestes a Santa Gianna responder com plena generosidade à vocação cristã de esposa e mãe, concedei também a mim, por sua intercessão, a graça de que tanto preciso, como também seguir fielmente a vossa vontade, para que resplandeça sempre nas nossas famílias o Dom que consagra o amor eterno e a vida humana. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

segunda-feira, abril 26, 2010

"Pescadores de Homens" em versão comunista

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Ninguém tem dúvida que a China, com sua autoritária e demoníaca política de limitação de apenas um filho por casal, figura entre os maiores símbolos da Cultura da Morte em nossos tempos.

Intanticídio, esterilizações em massa e abortos forçados são apenas parte do menu macabro que, entre outras coisas, traz a peculiaridade de também fazer bebês do sexo feminino o principal alvo do frenesi abortista naquele país.

Curioso é que isto não faz nenhuma feminista/abortista perder seu sono. Mas isto é outra história...

O caso agora é sobre a bizarra descoberta dos corpos de 21 bebês em um rio localizado em um cidade na província de Shandong. Alguns corpos ainda estavam com fitas de identificação do hospital onde haviam recebido tratamento, o que facilitou a investigação.

A história toda é muito triste. Segundo o que foi apurado, dois empregados de um hospital local receberam dinheiro das famílias para dar destino aos corpos das crianças que haviam falecido e resolveram embolsar o dinheiro todo e nem mesmo cremar ou enterrar os bebês.

Não que cá no ocidente as coisas sejam tão melhores, mas, aparentemente, na China, é comum que crianças de pouca idade falecidas por doença sejam abandonadas ou enterradas em covas sem identificação, pois não viveram o suficiente para serem consideradas formalmente parte da família.

Bizarro? Sim, muito. E isto é uma forma de vermos o ponto a que pode chegar uma sociedade que rejeita a mensagem cristã. O tristemente irônico é que boa parte da sociedade chinesa adquiriu certos "valores" ocidentais sem problemas, mesmo estando sob o jugo comunista, mas a valorização da vida é coisa que vai muito mal por lá. Tão mal que muitos pais nem mesmo acham tempo para dar um enterro digno a seus filhos, preferindo deixá-los na mão de estranhos inescrupulosos.

Faz sentido: quem não valoriza a vida, pouco se importa com a dignidade da morte.

A foto que podemos ver acima é emblemática do que é o comunismo: começa prometendo igualdade entre os homens e termina recolhendo corpos de bebês jogados no leito lamacento de um rio.

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Fonte: China Daily

domingo, abril 25, 2010

Contracepção artificial: "A madrugada da enganação demoníaca"

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Publico abaixo uma tradução livre de um artigo que saiu na newsletter da Human Life International que aborda as mazelas causadas na sociedade pela introdução da pílúla anticoncepcional.

A "enganação" do título vem do fato que hoje em dia, com a completa inversão de valores que atinge boa parte da sociedade, o mal é chamado de bem e a verdade fica bem escondida, inacessível a muitos. E é nestes tempos difíceis que nós, católicos, somos chamados a sermos pontos de luz na "escuridão espiritual" que nos cerca e oprime.

O artigo da sra. Jenn Giroux, mãe de 9 filhos e enfermeira, é primoroso por mostrar a força do ensinamento católico frente a valores distorcidos, que apenas deixa escravizado o homem junto ao deus-prazer, ao deus-sucesso, ao deus-bem-estar.

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A madrugada da enganação demoníaca

Jenn Giroux

Para comemorar o 50o. aniversário de "A Pílula", o Wall Street Journal publicou um artigo extenso e equivocado ("The Birth Control Riddle", 10/04/2009) de autoria de Melinda Beck, chamando a chegada da pílula anticoncepcional de "a madrugada da contracepção confiável" que "iniciou a revolução sexual, terminou o 'baby boom' do pós-guerra e ajudou milhões de mulheres a entrar na força de trabalho". A sra. Beck então passa a lamentar as "gravidezes não-planejadas" que ainda ocorrem hoje em dia, detalhando quão seguro é agora os novos e melhorados métodos de controle da natalidade.

Marshall McLuham, já falecido, um grande expert sobre a mídia que se converteu ao catolicismo, declarou antes de sua morte que "Os maiores veículos da mídia estão engajados em uma conspiração luciferiana contra a verdade". Que grande verdade! A coluna da sra. Beck é um perfeito exemplo desta conspiração, incluindo gritantes mentiras e deturpações tais como:
  • -- "os benefícios ultrapassam os riscos" quando tomando "A Pílula";
  • -- "(...) quanto mais uma mulher usa a pílula, menor é seu risco de adquirir câncer ovariano e endometrial"; e
  • -- "(...) a pílula não parece aumentar o risco de adquirir [câncer de mama]".
Beck então passa a tranquilizar seus leitores com fontes tais como o Guttmacher Institute (o braço de pesquisas da Planned Parenthood) e chega a citar a Vice-Presidente de Assuntos Médicos da Planned Parenthood, que explica os efeitos adversos dizendo "Temos que ver as coisas em perspectiva. O risco de uma mulher ter problemas é substancialmente maior durante a gravidez".

"A Pílula" e o amplo uso de outros contraceptivos na realidade levou-nos à "Madrugada da Enganação Demoníaca" nos EUA. Basta apenas que alguém veja alguns dos amargos frutos de "A Pílula" para entender o porquê.
  • Um estudo da Mayo Clinic mostra que mulheres que utilizam contraceptivos hormonais ao menos por 4 anos antes de sua primeira gravidez completa têm risco 52% maior de desenvolver câncer de mama.
  • Mulheres que usam contraceptivos hormonais por mais de 5 anos têm quadruplicadas suas chances de desenvolver câncer cervical.
  • Antes da revolução sexual e de "A Pílula" eram conhecidas 5 doenças sexualmente transmissíveis; hoje são mais de 30;
  • Há mais de 50 estudos médicos que indicam que o uso de contraceptivos orais e de Depo-Provera deixam as mulheres mais suscetíveis para quase todos os conhecidos fatores de risco do HIV.
Basta que olhemos ao redor hoje em dia e podemos ver quão corretamente o Papa Paulo VI predisse o que se seguiria se a contracepção fosse adotada em alta escala: uma queda geral nos padrões morais, um aumento na infidelidade, uma ainda maior objetificação das mulheres, e o uso da contracepção como uma arma. Famílias menores e mais famílias desfeitas, homossexualidade descarada, pornografia, e a coerciva política de somente um filho da China são apenas alguns dos óbvios lembretes da sabedoria do Papa Paulo VI ao reafirmar o ensino perene da Igreja sobre a contracepção na Humanae Vitae.

Expor as mentiras da contracepção é, na verdade, o grande desafio moral de nossos dias. É não apenas uma batalha pela vida, é uma batalha por almas.


Quando perguntada recentemente por uma grande revista para que dissesse seu maior arrependimento, Martha Stewart replicou: "Não ter uma dúzia de filhos". Isto resume bem o geral "arrependimento pós-contraceptivo" que pesa muito nos corações e nas almas das mulheres que caíram nas mentiras da indústria do aborto. Até mesmo em famílias católicas a natalidade caiu, desde a década de 1960, de 5,5 para 2,1 filhos nos dias atuais, rejeitando as alegrias e desafios das famílias maiores em troca dos bens menores do conforto material, da "liberdade" e do sucesso profissional.


Vem à minha mente uma história da década de 1920 (ironicamente, a mesma época em que Margaret Sanger estava iniciando seus esforços para legalizar a contracepção e o aborto nos EUA) em que um garotinho olhava através de uma janela à tarde assistindo um homem acender um poste de luz a gás.


Sua mãe perguntou-lhe: "O que você está olhando?"


Como se a explicação fosse óbvia, o menino respondeu: "Estou vendo um homem fazer buracos na escuridão".


Nos dias atuais é isto que Deus está pedindo a nós católicos -- permanecer firmes no testemunho corajoso e "fazer buracos" na escuridão espiritual que nos cerca. Frente às enganações demoníacas espalhadas pela sra. Beck e por outros que ignoram a devastação trazida pela contracepção, devemos responder com a luz da verdade.


Nossa fidelidade diária ao plano perfeito de Deus para a sexualidade e o casamento através da recitação do rosário e dos sacramentos é o único caminho para retomar nossa cultura e nossa nação. Apenas através da utilização destes dons poderemos ajudar o retorno contracultural da castidade e da família.

sexta-feira, abril 16, 2010

Senador Arthur Virgílio, um morno que será vomitado

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No último dia 08/04, durante audiência pública no Senado Federal sobre o famigerado 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), fez o seguinte pronunciamento:
"Sou católico, mas defendo a legalização do aborto. Neste momento, mulheres estão morrendo por realizarem abortos ilegais."
Como já tive a oportunidade de escrever aqui, todas as vezes que alguém coloca um "mas" após se afirmar católico, podemos contar que vem uma defesa de algo que vai frontalmente contra a fé que a pessoa diz professar. Tal pessoa trata-se, na verdade, de um "católico" (aspas necessárias), um ser confuso que acha que a fé que nos foi passada por Nosso Senhor Jesus Cristo deve-se encaixar nos parâmetros que ele, "católico", criou para si.

É uma gente estranha, gente como o senador do PSDB, que defende publicamente a legalização do assassinato de crianças inocentes ainda no ventre de suas mães e ainda quer se dizer católica.

Das duas, uma: ou o senador é católico ou é abortista. E quem se diz pessoalmente contra o aborto mas defende a descriminalização fica parecendo muito mais com Pilatos, que lavou às mãos diante do crime de deicídio, do que com um católico autêntico, que deve se esforçar durante toda sua vida para imitar os passos de seu Divino Salvador.

Arthur Virgílio, com sua profissão de fé abortista, deixou bem claro a todos o tipo de católico que ele é. É um católico que, quando a corta aperta, joga sua fé para escanteio e corre para a galera. Dizendo-se preocupado com as vidas de mulheres que morrem em abortos "ilegais", o senador convenientemente esquece das vidas das crianças que foram parar em latas de lixo, no esgoto, etc. Pois é, a compaixão "católica" do senador funciona apenas quando lhe convém.

O senador, aliás, faria bem melhor se fizesse ou mandasse seus assessores fazer o dever de casa. Se assim procedesse, saberia que o número de mortes por tentativas de aborto foram 96 de 1998 a 2007 (média anual: 9,6), segundo os dados do DATASUS. Quem lê o senador parece que ele está preocupado com um problema que assola o país e que dizima a população feminina no Brasil.

Na verdade o senador queria agradar um público com seu discurso. Um público nada católico, diga-se.

E mesmo estas mortes poderiam ser evitadas se o senador e vários de seus colegas políticos se preocupassem mais em dar emprego, creche, saúde, etc. para a população do que simplesmente dizer que a solução para o problema está na liberação do aborto.

Solução para quem? Para as crianças que jamais viram a luz do dia é que não foi.

Este assunto é recorrente ao senador, que em 2007 disse coisa semelhante ao falar sobre o mesmo assunto:
"Eu não teria como deixar de marcar a minha posição nesse episódio e não há nenhuma contradição com a minha fé católica profunda. Não me sinto obrigado a me enquadrar nesses dogmas."
O inteligente senador deveria aprender que católico que nega algum dogma nem católico é, é uma farsa apenas. A tal "fé católica profunda" do senador, a mesma fé que o levou a emocionar-se quando da visita de S.S. Bento XVI ao Brasil, é a mesma que o leva a não verter uma lágrima sequer pelas crianças que serão abortadas com o seu aval de legislador.

É uma fé confusa, uma fé morna. Talvez lhe sirva para angariar votos e prestígio entre certos círculos. Para sua alma e para a vida de tantas crianças que poderão jamais ver a luz, serve para nada.

Ao final, temos que Arthur Virgílio mostra-se dos piores tipos de "católicos", do tipo que quer que a fé seja adaptada aos seus parâmetros, o que é totalmente contrário a uma real conversão, que é muitas vezes dolorosa mas sempre um ato de submissão amorosa a Deus.

E mostra-se também um político pífio, daqueles que usa a tribuna que o povo lhe concede para confundir a todos dizendo-se coisa que, defininitivamente, não é.

quinta-feira, abril 15, 2010

Campanha "REZEMOS PELO SANTO PADRE"

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Não pode haver ocasião mais oportuna para que os católicos de todo o Brasil se unam em oração pelo Sumo Pontífice Bento XVI. No contexto de tantas críticas e difamações, calúnias e perseguições, está construído o cenário ideal para que a força dos tripulantes da barca de Pedro atue na intercessão pelo Papa. Amanhã (16/04), Sua Santidade comemora seu aniversário natalício e, na segunda-feira (19/04), ele completará 5 anos de pontificado.

O Evangelho desse domingo faz referência ao sucessor de Pedro. “Apascenta minhas ovelhas”, diz o Senhor. Pedro apascenta o rebanho dos cristãos; chegou a hora de agradecermos a coragem e o ânimo com o qual o Papa Bento XVI tem conduzido a Igreja nesse início de milênio. Chegou a hora de rezarmos por aquele que, todos os dias, reza por nós.

Como? Na Missa deste Domingo, ofereceremos nossas preces de forma especial pelo Santo Padre. Vale até mesmo permanecer na Igreja, ou preferencialmente diante do Santíssimo Sacramento, por alguns minutos após a Santa Missa, oferecendo a Nosso Senhor as preces de toda a Cristandade pelo Sumo Pontífice, a fim de que, pelas gloriosas e ternas mãos da Santíssima Virgem Maria, o Senhor nunca lhe permita faltar a assistência do Espírito Santo, e conceda a fortaleza, a sabedoria e a coragem, para que ele continue sendo o espelho do Bom Pastor que tem sido nestes 5 anos de pontificado, e que ele não sucumba diante das críticas e ataques da mídia secular, dos ateus, dos agnósticos, e de todos os inimigos da Igreja.

Domingo será um dia de união. Unamo-nos com os cristãos católicos de outras partes do mundo, que também estarão intercedendo pelo Santo Padre. Unamo-nos com os santos apóstolos, as virgens, os mártires, os anjos e santos do Céu, e a Bem-Aventurada Virgem Maria, enfim, Igreja militante e triunfante, em sinal de profunda e sincera adesão ao nosso Pastor neste mundo de Exílio.

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Nosso compromisso: oferecer preces e orações(*) pelo Santo Padre Papa Bento XVI
Onde: cada um em sua própria paróquia
Quando: neste Domingo, 18/04/2010, na Santa Missa

* Sugestão: oferecer um terço ou, ao menos, um Pai-Nosso, três Ave-Marias, um Glória e uma Salve Rainha.

quinta-feira, abril 08, 2010

Chororô na PUC-SP: Feminista demitida há 4 anos ainda reclama

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Heleieth Saffioti é uma socióloga/feminista cuja obra confunde-se com a própria fundação deste blog. Na primeira postagem, no ano de 2006, tive o (des)prazer de abordar as asneiras que a feminista Saffioti escreveu sobre o aborto ao tentar rebater um artigo do Procurador Cicero Harada, no qual este mostrava o absurdo de se procurar legalizar o aborto no Brasil, enquanto existem leis que buscam proteger ovos de tartaruga.

O assunto rendeu um bom debate à época e pode ser visto em sua totalidade, inclusive a cronologia dos artigos que se seguiram à polêmica, em um outro blog que mantenho. Lá podemos ver o quanto a socióloga/feminista se perde completamente ao tentar defender seu ponto de vista não com argumentos, mas, sim, com "carteiradas" acadêmicas, que foram devidamente respondidas por Cicero Harada, que em nenhum momento deixou-se abalar pela fúria babenta da professora Heleieth.

Mas o assunto não morreu para a socióloga/feminista... Recente chamada publicada no número 733 da revista PUCViva, a revista da Associação dos Professores da PUC-SP (sempre as PUCs...), apontava uma matéria publicada na revista UNESP Ciência, no. 6, de março de 2010, na qual a antiga professora da PUC-SP continua a divulgar uma fantasia saída de sua cabeça marxista: a de que foi demitida da PUC-SP por motivos ideológicos, devido a ter escrito uma resposta ao artigo do procurador Harada.

À época, houve até mesmo um abaixo-assinado no qual uns gatos pingados tentavam levar a mentira da demissão ideológica à frente. Não adiantou. Heleieth demitida estava e demitida ficou.

Mas não é que mesmo após 4 anos a demitida ainda tenta emplacar a mentira como se fosse verdade? Para ser sincero, eu gostaria muito que a demissão de Heleieth tivesse tido um viés ideológico. Eu adoraria que as PUCs do Brasil inteiro só empregassem gente que mostra um mínimo de coerência com os ensinamentos da Santa Igreja.

Não defender a legalização do aborto, como fez a demitida, por exemplo, já seria ótimo. Demitir gente assim faria um bem enorme para a Igreja e para as PUCs, que talvez deixassem de ser o celeiro de abortismo e esquerdismo que se tornaram. E tudo isto à vista complacente de tantos bispos.

Mas o fato é que a demissão de Heleieth Saffioti não foi ideológica. Por exemplo, segundo a matéria da UNESP Ciência, uma das assinaturas no abaixo-assinado era de Luiza Erundina, deputada federal. Pois é, a mesma Luiza Erundina que em 2008 foi chamada para fazer uma "análise de conjuntura" para padres, a mesma Luiza Erundina que foi a pioneira do chamado "aborto legal".

Ou seja, é a ideologia que levou subitamente a professora a ser demitida após 16 anos ensinando o que queria na PUC-SP? É a ideologia que leva Erundina a assinar um abaixo-assinado contra uma decisão da Arquidiocese e, algum tempo depois, ir falar em um evento direcionado a padres? Ao que parece, a ideologia só faz é favorecer a socióloga/feminista e sua agenda marxista.

Marxismo, aliás, do qual ela se orgulha muito, chegando ao cúmulo do cafonismo ao tirar foto à frente de uma imagem de Karl Marx. Se o nível de adesão pode ser medido pelo quanto de ridículo alguém se dispõe a fazer, a socióloga/feminista atingiu os píncaros.

Como a professora achou por bem trazer de volta a polêmica relacionada ao debate, debate no qual ela mostrou uma completa falta de preparo para produzir um único argumento, preferindo muito mais ataques ridículos ou rotulamentos furiosos -- "Papa da Morte" -- que talvez indiquem o nível acadêmico da professora, também eu resolvi trazer de volta um texto que escrevi à época e que foi publicado no no. 34 do boletim "Cooperatores Veritatis". Segue abaixo.


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O medo como método

Quem lê na Folha de São Paulo a notícia sobre o abaixo-assinado que tenta reverter a demissão da socióloga Heleieth Saffioti, fica com a impressão de que ela está sendo injustiçada pela simples publicação de um artigo no qual defende a descriminalização do aborto. A forma da notícia praticamente leva qualquer um que a lê a concluir que a professora Saffioti, ao heroicamente ir contra os “cânones da fé católica”, foi autoritariamente demitida por lutar por seus ideais.

Nada poderia estar mais errado...

Nem é o caso de se assumir o “dito pelo não dito”, pois simplesmente o que aconteceu na notícia é que foram totalmente omitidas certas informações que são a chave para que se possa tentar entender a questão. Um trabalho jornalístico sério geralmente leva em conta o histórico de determinado fato, os posicionamentos de todos os lados em uma determinada questão, a conjuntura, etc.

Nada disto foi abordado na notícia. O único fato mostrado é o surgimento do abaixo-assinado, que, realmente, é notícia. Porém, ao tomar a decisão jornalística de omitir os fatos anteriores e posteriores ao artigo da socióloga, a notícia serviu apenas como propaganda para angariar mais assinaturas. Deve haver muita gente louca para receber um e-mail e poder se juntar a mais esta causa, pois quem não gostaria de poder juntar seu nome ao de uma boa parte da fina-flor da intelectualidade brasileira? E de quebra ainda poder jogar uma pedra na Igreja? É muita tentação!

Falar do artigo da professora Saffioti e de sua demissão como se fossem fatos isolados é como falar da Bomba de Hiroshima sem relacioná-la com a 2a Guerra: pode dar uma excelente matéria, mas vai deixar os leitores muito mal informados. Mas, repito, é uma decisão jornalística. Cada jornal sabe até onde vai seu compromisso com a boa informação.

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A tese central do abaixo-assinado é de que a professora foi demitida por abertamente defender a descriminalização do aborto em um artigo. Se alguém colocou sua assinatura no referido documento baseado nesta informação, é melhor que procure retirá-la o quanto antes, pois estará dando seu aval a um embuste e demonstrando um total desconhecimento dos fatos. Vamos a eles.

O artigo no qual a professora Saffioti defendeu seu ponto de vista, nada mais foi que uma tentativa de réplica ao artigo “O Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto”, do Procurador Cícero Harada, também veiculado na página da OAB-SP. Foi mera tentativa porque a socióloga não rebateu nenhum dos argumentos expostos pelo Dr. Harada, praticamente fugindo ao debate. Ao invés de debater, o que era de se esperar de uma acadêmica de seu porte, ela preferiu produzir uma peça na qual misturou ódios, preconceitos, inverdades históricas, e ainda achou espaço para fazer uma propagandazinha do livro de uma colega “feminista”.

Mas será mesmo que a direção da PUC-SP daria tanta importância a este artigo, para lá de medíocre, da socióloga? Ao ponto mesmo de demiti-la por este motivo? Se ela foi demitida por defender abertamente o aborto, por que então não foi demitida há vários e vários anos atrás? Sua militância feminista é amplamente conhecida por todos, ela é uma referência nacional, então é óbvio que a Arquidiocese de São Paulo sempre soube de seu posicionamento sobre questões como o aborto. E, apesar disto, ela lecionou em uma Pontifícia Universidade Católica desde 1989, segundo noticiado. Há 16 anos!!!

Por 16 anos a professora Saffioti ensinou o que quis na PUC-SP, não há registros de que tenha havido algum tipo de patrulhamento em suas aulas. (Pelo menos não lembramos de algum abaixo-assinado que denunciasse algo neste sentido...) Por 16 anos suas bases ideológicas não foram contestadas. E agora o grupo que criou o abaixo-assinado quer nos fazer crer que:

“(...) no caso da Profa. Heleieth Saffioti, a demissão foi devido a um artigo que ela escreveu em defesa de descriminalização do aborto. Foi chamada para prestar esclarecimentos. Como reafirmou sua posição, foi demitida.”

Ou seja, tais pessoas querem que acreditemos que 447 professores da PUC-SP foram demitidos, mas que o caso da professora Saffioti foi perseguição ideológica, devido ao artigo no qual teria defendido a descriminalização do aborto. Isto é pura ficção... Durante 16 longos anos a professora Saffioti, falou o que quis na PUC-SP ou em qualquer outro lugar, sobre aborto ou qualquer outro assunto, mas bastou ela publicar um artigo (uma pífia réplica, na verdade) para que a Igreja, defendendo os “cânones da fé católica”, a demitisse?

Esta deve ter sido a perseguição ideológica mais longa da história... Podemos quase imaginar os clérigos esperando o exato momento de uma profunda crise financeira na PUC-SP para, dissimuladamente, sorrateiramente, conseguirem demitir a socióloga que tanto embaraço lhes causava. Querendo ser realmente criativos, podemos até imaginar que a crise foi causada de propósito para que a demissão da professora pudesse passar desapercebida. Que tal? Isto é praticamente um enredo de Dan Brown: “O Código da PUC”! Não sei como ninguém disse ainda que há nisto tudo o dedo ubíquo do Opus Dei.

O que nem a notícia e nem o abaixo-assinado mostram é que todos estes movimentos, aparentemente aleatórios, parecem fazer parte de um método: o método do medo. Neste método, basicamente precisamos de dois elementos: um carrasco e uma vítima. Lendo a notícia da Folha e o abaixo-assinado sabemos muito bem quem posa de vítima e quem é pintado como o carrasco.

Tal método procura capitalizar a simpatia de terceiros para determinadas causas não através de argumentos que possam sustentar seus ideais, mas através da criação de situações nas quais um grupo possa posar de vítima. Alegando injustiças fictícias, dizendo-se vítimas de preconceitos imaginários, buscam os que se utilizam de tal método que estas situações imaginárias tornem-se mais importantes que os próprios argumentos. É pura apelação, puro embuste.

Parece que foi utilizando este método que um grupo de advogadas de São Paulo escreveu uma peculiar carta aberta: “Eu tenho medo”. Esta infeliz manifestação veio a público após excelente tréplica do Dr. Cícero Harada ao artigo da professora Saffioti. Nesta carta, tais advogadas desfiam uma série de medos bobos e infantis, o que apenas demonstra sua agora notória falta de argumentos.

E é exatamente devido a esta completa falta de argumentos que o medo é utilizado como método. Há quem diga que contra fatos não há argumentos; estas senhoras parecem preferir dizer que contra argumentos existem os medos.

O abaixo-assinado nitidamente segue este caminho... Que importa se a PUC-SP passa por uma crise financeira? Que importa se a socióloga pôde lecionar durante 16 anos sem ser incomodada? Que importa se o Padre Juarez de Castro, Secretário de Comunicação da Arquidiocese de São Paulo, tenha declarado que “Os critérios para a lista já foram divulgados [idade avançada e avaliação de desempenho, entre outros]. Ela [a professora Saffioti] sempre defendeu coisas como essa e nunca houve problema"? Que importa se nenhum argumento do Procurador Cícero Harada tenha réplica aceitável? Que importa se 446 outros professores tenham sido também demitidos?

Nada disto tem importância para quem se utiliza do medo como método. Colocando-se na posição de vítimas - como fizeram as advogadas -, ou colocando a professora Saffioti nesta posição - como fizeram os idealizadores do abaixo-assinado -, o que se tenta é criar um fato através de uma ficção, o que se tenta é conseguir adeptos a qualquer custo, nem que para isto seja necessário distorcer os fatos.

O que não percebem os entusiastas de tal método é que a criação e expansão de tais terrores é uma característica totalitária. Se eles se sentem bem nesta posição, façam bom proveito. Eu, porém, sinto-me bem mais tranqüilo ao seguir o caminho proposto por um cardeal polonês, que em seu primeiro discurso como Papa nos ensinou:

“Não tenham medo!”